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domingo, 23 de outubro de 2011


Não existe diferença entre o rico e pobre porque foi o Senhor Deus quem fez os Dois”. (Provérbios cap.22, versículo 2. Nova Tradução na Linguagem de Hoje).

   É curioso vermos como Deus faz a coisas para que possamos comprovar a certeza e eficácia de seus ensinamentos. Um desses acontecimentos ocorreu justamente em 1936. Naquela época, não muito diferente dos dias de hoje, existiam vários grupos preconceituosos que costumavam diferenciar o tratamento das pessoas de acordo com a cor de sua pele e sua origem.
   Durante os Jogos Olímpicos, no verão de 1936, essa realidade mais uma vez se mostrava, porém muito mais visível e agressiva aos olhos de todos. Muitos naquele tempo defendiam a pseudociência de que o gênero humano poderia ser dividido em raças superiores e inferiores. Chegando a culminar com o divulgado “mito da superioridade da raça ariana”, defendido pela Alemanha nazista e inculcado na cabeça de uma nação inteira por Adolf Hitler.
    Logo, não haveria melhor propaganda do que os Jogos Olímpicos, realizados naquela oportunidade na própria Alemanha. Era visível o esforço e as intenções do regime nazista em difundir suas convicções e ideais de segregação e de superioridade frente às demais delegações e atletas. Vencer os Jogos Olímpicos não era apenas um objetivo esportivo, era a verdadeira disputa do bem contra o mal. Da idéia do mais forte, mais alto e mais rápido, independente da sua origem ou nação, contra as idéias da eugenia e do conceito de que haveriam seres humanos superiores e inferiores. Como costumo dizer, são nessas horas críticas, que mesmo sem nos darmos conta Deus se mostra pelas circunstâncias e pelos acontecimentos.
     Coube a um atleta negro, neto de escravos e filho de agricultores, o qual era discriminado em seu próprio país, ensinar ao mundo que Deus nos fez iguais, independente da cor da pele, do lugar de nascimento, da língua materna ou da religião professada. O nome desse atleta era James Cleveland Owens, simplesmente chamado de Jesse Owens.
      Esse rapaz, vindo do interior dos Estados Unidos, contra todas as perspectivas e o favoritismo dos atletas brancos, ganhou quatro medalhas de ouro, tornando-se o maior medalhista olímpico até aquela época. Seu recorde de medalhas olímpicas somente seria igualado em 1984 por Carl Lewis. Owens venceu as provas dos 100 metros rasos, 200 metros rasos, 4 por 100 metros e salto em distância. Na prova dos 100 metros rasos, a mais significativa e veloz do atletismo, a expectativa era tão grande, que todo o estádio olímpico de Berlim aplaudiu a vitória do jovem negro vencendo Lutz Long, atleta alemão e franco favorito a vencer a disputa.
      O que Deus faz é bom e seus feitos nos dão sabedoria (Salmo, 19:7). Muitos poderiam dizer que o maior feito de Jesse Owens teria sido a vitória nas olimpíadas de 1936, desbancando o mito da existência de raças superiores e inferiores. Mas não. A maior vitória desse norte americano, neto de escravos, foi abalar a estrutura social racista que existia em seu próprio país, pois ao retornar aos Estados Unidos como um campeão olímpico, esse atleta fabuloso não foi reconhecido pelas autoridades. Em sua biografia oficial Jesse Owens escreveu que o que mais lhe magoou não foi ter sofrido o preconceito e a discriminação de Hitler e o mito de superioridade da raça ariana, mas o fato do presidente americano Fraklim Delano Roosevelt não ter lhe mandado sequer um telegrama felicitando-o por suas conquistas na olimpíada.
      Mas o feito de Owens não foi esquecido por Deus, muito menos apagado da memória das pessoas. Tempos depois, em 1976, esse brilhante atleta recebeu das mãos do presidente Gerald Ford mais uma medalha, dessa feita a medalha presidencial da liberdade. Reconhecendo a realização e o trabalho desse atleta em favor do esporte e da luta pela igualdade dos direitos civis entre as pessoas em sua nação.
      Jesse Owens morreu em 31 de março de 1980, em Tucson no estado do Arizona. O presidente Jimmy Carter ao saber de sua morte afirmou: “Talvez nenhum atleta melhor simbolizou a luta humana contra a tirania, a pobreza e o preconceito racial.” Em 1990, o presidente George Bush concedeu postumamente a Owens a mais alta condecoração de seu país, a medalha de honra do congresso dos Estados Unidos. Fazendo da vida desse jovem negro, filho de agricultores e neto de escravos, vindo do interior de seu pais, um exemplo vivo daquilo que Deus nos ensinou, de que fomos criados iguais, não existindo diferença em razão da cor de nossa pele, nossa origem ou nossa condição social.

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