“Não existe diferença entre o rico e pobre
porque foi o Senhor Deus quem fez os Dois”. (Provérbios cap.22, versículo 2.
Nova Tradução na Linguagem de Hoje).
É curioso vermos como Deus faz a coisas para que
possamos comprovar a certeza e eficácia de seus ensinamentos. Um desses
acontecimentos ocorreu justamente em 1936. Naquela época, não muito diferente
dos dias de hoje, existiam vários grupos preconceituosos que costumavam
diferenciar o tratamento das pessoas de acordo com a cor de sua pele e sua
origem.
Durante os Jogos Olímpicos, no verão de 1936,
essa realidade mais uma vez se mostrava, porém muito mais visível e agressiva
aos olhos de todos. Muitos naquele tempo defendiam a pseudociência de que o gênero
humano poderia ser dividido em raças superiores e inferiores. Chegando a
culminar com o divulgado “mito da superioridade da raça ariana”, defendido pela
Alemanha nazista e inculcado na cabeça de uma nação inteira por Adolf Hitler.
Logo, não haveria melhor propaganda do que
os Jogos Olímpicos, realizados naquela oportunidade na própria Alemanha. Era visível
o esforço e as intenções do regime nazista em difundir suas convicções e ideais
de segregação e de superioridade frente às demais delegações e atletas. Vencer
os Jogos Olímpicos não era apenas um objetivo esportivo, era a verdadeira
disputa do bem contra o mal. Da idéia do mais forte, mais alto e mais rápido,
independente da sua origem ou nação, contra as idéias da eugenia e do conceito
de que haveriam seres humanos superiores e inferiores. Como costumo dizer, são
nessas horas críticas, que mesmo sem nos darmos conta Deus se mostra pelas
circunstâncias e pelos acontecimentos.
Coube a um atleta negro, neto de escravos
e filho de agricultores, o qual era discriminado em seu próprio país, ensinar
ao mundo que Deus nos fez iguais, independente da cor da pele, do lugar de
nascimento, da língua materna ou da religião professada. O nome desse atleta era
James Cleveland Owens, simplesmente chamado de Jesse Owens.
Esse rapaz, vindo do interior dos Estados
Unidos, contra todas as perspectivas e o favoritismo dos atletas brancos, ganhou
quatro medalhas de ouro, tornando-se o maior medalhista olímpico até aquela
época. Seu recorde de medalhas olímpicas somente seria igualado em 1984 por
Carl Lewis. Owens venceu as provas dos 100 metros rasos, 200 metros rasos, 4
por 100 metros e salto em distância. Na prova dos 100 metros rasos, a mais
significativa e veloz do atletismo, a expectativa era tão grande, que todo o estádio
olímpico de Berlim aplaudiu a vitória do jovem negro vencendo Lutz Long, atleta
alemão e franco favorito a vencer a disputa.
O que Deus faz é bom e seus feitos nos
dão sabedoria (Salmo, 19:7). Muitos poderiam dizer que o maior feito de Jesse
Owens teria sido a vitória nas olimpíadas de 1936, desbancando o mito da existência
de raças superiores e inferiores. Mas não. A maior vitória desse norte americano,
neto de escravos, foi abalar a estrutura social racista que existia em seu
próprio país, pois ao retornar aos Estados Unidos como um campeão olímpico,
esse atleta fabuloso não foi reconhecido pelas autoridades. Em sua biografia
oficial Jesse Owens escreveu que o que mais lhe magoou
não foi ter sofrido o preconceito e a discriminação de Hitler e o mito de superioridade
da raça ariana, mas
o fato do presidente americano Fraklim Delano Roosevelt não ter lhe mandado sequer um telegrama felicitando-o
por suas conquistas na olimpíada.
Mas o feito de
Owens não foi esquecido por Deus, muito menos apagado da memória das pessoas.
Tempos depois, em 1976, esse brilhante atleta recebeu das mãos do presidente Gerald
Ford mais uma medalha, dessa feita a medalha presidencial da liberdade.
Reconhecendo a realização e o trabalho desse atleta em favor do esporte e da
luta pela igualdade dos direitos civis entre as pessoas em sua nação.
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