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sexta-feira, 17 de maio de 2013


UM EXCELENTE COMEÇO, MAS UM PÉSSIMO FINAL.



Podemos encontrar nas páginas da Bíblia Sagrada valiosíssimas lições inspiradas na vida de seus personagens, permitindo-nos aprender com eles, quer seja pelos acertos ou pelos erros que tenham cometido. Um desses personagens bíblicos foi o famoso rei Uzias.
Uzias tornou-se rei de Judá com apenas 16 anos, sucedendo seu pai Amazias. Diz o II Livro das Crônicas que esse jovem rei tornou-se um valoroso guerreiro e um engenheiro admirável. Possuiu grandes riquezas, edificou reservatórios de água, adquiriu fazendas, criou fortalezas e realizou importantes conquistas. Sua notoriedade ajudou a criar uma cidade, chamada Elote. E teve um exercito tão poderoso que sua fama era conhecida no Egito e na Arábia.
Mas, todo esse poder e prosperidade tinham uma razão. Veja o que diz a Palavra de Deus:

E fez o que era reto aos olhos do SENHOR; conforme a tudo o que fizera Amazias seu pai. Porque deu-se a buscar a Deus nos dias de Zacarias, que era entendido nas visões de Deus; e nos dias em que buscou ao SENHOR, Deus o fez prosperar.” (II Crônicas, capítulo 26, versículos 4 e 5).

Desse modo Uzias se tornou um rei grandemente abençoado. Governando o reino de Judá por 52 anos. Tudo isso poderia ser o resumo de uma vida feliz, não fosse por um grave pecado que perverteu e anulou todas essas bênçãos recebidas.

Observe o que a Bíblia nos conta o que aconteceu a Uzias.

       “Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper, e transgrediu contra o SENHOR seu Deus, porque entrou no templo do SENHOR para queimar incenso no altar do incenso. Porém o sacerdote Azarias entrou após ele, e com ele oitenta sacerdotes do SENHOR, homens valentes. E resistiram ao rei Uzias, e lhe disseram: A ti Uzias não compete queimar incenso perante o SENHOR, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para queimar incenso, sai do santuário, porque transgrediste, e não será isto para tua honra, da parte do SENHOR Deus. Então Uzias se indignou, e tinha o incensário na sua mão para queimar incenso. Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do SENHOR, junto ao altar do incenso. Então o sumo sacerdote Azarias olhou para ele, como também todos os sacerdotes, e eis que já estava leproso na sua testa, e apressadamente o lançaram fora, e até ele mesmo se deu pressa a sair, visto que o SENHOR o feriu. Assim ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte, e morou, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da casa do SENHOR. E Jotão, seu filho, tinha o encargo da casa do rei, julgando o povo da terra.” (II Crônicas, capítulo 26, versículos 16 a 21).



Infelizmente, depois de ter sido abençoado Uzias perverteu o seu coração, tornando-se uma pessoa orgulhosa e prepotente. Desafiando a Deus ao colocar-se no lugar dos sacerdotes, desejando assumir uma posição de honra que Deus não lhe concedera. Por essa razão, diz as Sagradas Escrituras, que o próprio Deus o feriu, tornando-o leproso. Fato que, naquela época, significava uma condenação ao desprezo, dor e esquecimento, visto que a lepra era uma doença incurável associada a imundícia e miséria. Pela lei de Moisés um leproso era considerado imundo, sendo obrigado a viver isoladamente. Assim, Uzias “foi excluído da casa do SENHOR”, passando a viver longe de todos até a sua morte e toda sua autoridade acabou sendo transferida ao seu filho Jotão.
 
Infelizmente, apesar da história de Uzias ter ocorrido há mais de dois mil e oitocentos anos atrás, podemos ver nos dias de hoje muitas pessoas que agem como ele. Essas pessoas, quando abençoadas por Deus, enchem seus corações de orgulho, superioridade e arrogância. Passam a engrandecer a si mesmas e seus próprios méritos, como se elas fossem “credoras do céu”, sendo retribuídas por Deus pelas bênçãos que usufruem. A Bíblia mostra que esse tipo de pensamento, além de um pecado lastimável, constitui um grave engano.

O inimigo da humanidade, satanás, pecou e também foi excluído do Reino de Deus quando achou-se nele iniquidade pelo seu orgulho e arrogância. Veja só!

        “Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci, no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti...Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor, por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.”(Livro do Profeta Ezequiel, capítulo 28, versículos 14, 15 e 17).



Jesus, Nosso Salvador, ao nos ensinar sobre esse tipo de comportamento usou uma história muito significativa para demonstrar como Deus vê a autojustificação.

E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, para orar, um fariseu e o outro publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele, porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” (Evangelho de Lucas, capítulo 18, versículos 9 a 14).

Na realidade, aprendemos como disse o Apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos, capítulo 3, versículos 23 e 24, que: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Sendo justificados gratuitamente pela Sua Graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ou seja, não importa quem você é, o que você faz ou o que você possui. Nós não temos mérito algum em alcançar o favor ou a misericórdia de Deus pelo nosso próprio merecimento. Todas as bênçãos, sendo a maior delas o dom da salvação, são alcançadas unicamente pela Graça de Deus, em Cristo Jesus. Por isso, a Bíblia nos ensina a sermos humildes, mesmo ocupando posições de destaque.

O temor do SENHOR é a instrução da sabedoria, e precedendo a honra vai a humildade.” (Livro de Provérbios, capitulo 15, versículo 33)

E quando fores abençoado por Deus lembre-se:

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força, não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: Em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra. Porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” (Livro do Profeta Jeremias, capítulo 9, versículos 23 e 24)


Que Deus te abençoe!


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Uzias ou Azarias (hebr. עוזיהו) foi o 10º rei de Judá. Iniciando seu reinado por volta de 792 a.C. Reinou por 52 anos e foi sucedido por seu filho Jotão. Fonte: Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão.

Todas as citações bíblicas mencionadas nesse texto foram Extraídas da Bíblia Sagrada, Versão ALMEIDA, Corrigida e Revisada, SBB.

sábado, 11 de maio de 2013


QUANDO AS PALAVRAS NÃO SÃO SUFICIENTES



De todas as dores e sofrimentos que o ser humano possa suportar, acredito que a maior delas certamente é a dor da perda de um ente querido. Lembro-me da ocasião em que ao final de um culto onde estava pregando, recebi a notícia que o filho de uma irmã muito querida de toda igreja havia se envolvido em um grave acidente de trânsito. Imediatamente, eu e todos os irmãos que ainda se encontravam na igreja após o culto, seguimos em grupo em direção a casa dessa irmã. Porém, fomos informados no caminho que o rapaz havia falecido naquele trágico acidente. Ao chegarmos, a dor e o sofrimento eram evidentes no rosto de todos. Quando enfim pude abraçar essa irmã, a única expressão possível dessa situação foram as lágrimas.
Confesso que a comoção e o choro omitiram todas as palavras preparadas para aquele momento. Pois, o que dizer quando nenhuma palavra que se fale é capaz de aplacar a dor e o desespero da morte de um filho, um pai, uma mãe ou um irmão que se foram para sempre? Como entender e aceitar as circunstâncias da perda de alguém que amamos à luz da Palavra de Deus?
Ao analisar as Escrituras, vemos que até mesmo Jesus enfrentou essa terrível situação. Esse fato se encontra registrado no Evangelho de João, no capítulo 11.

     “Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se. 
E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê. Jesus chorou.” (Evangelho de João, capítulo 11, versículos 32 a 35).


Vemos nessa passagem que Jesus, o Filho de Deus, mesmo tendo o dom de restaurar a vida, comoveu-se e chorou ao deparar-se com o luto e o sofrimento da perda de uma pessoa amada. Por essa razão, tais questões me acompanharam por um bom tempo após o falecimento de meu pai, ocorrido há alguns anos. O que me permitiu encontrar nas Escrituras Sagradas lindas respostas e o consolo esperado para esse inexorável problema da existência humana.
Podemos aceitar que o sofrimento pela morte de uma pessoa que amamos é perfeitamente natural, diante da ruptura do vínculo e da ausência que se impõem. Contudo, a Bíblia nos traz um alento em momentos como esses.

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. Todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?” (Evangelho de João, capítulo 11, versículos 25 e 26).

Observamos, na história narrada no Evangelho de João, o episódio que culminou com a ressurreição de Lázaro, descrita nos versículos 43 e 44 desse mesmo capítulo. Entretanto, devemos considerar que apesar de Cristo o haver ressuscitado, Lázaro voltou a morrer posteriormente, descansando no Senhor de suas obras terrenas. Da mesma forma, todos os dias milhares de pessoas morrem ao redor do mundo, seja por causas naturais ou fatalidades. Mas para aqueles que creem em JESUS CRISTO a morte física é somente uma passagem à vida eterna. Isso de acordo ao registrado nas Sagradas Escrituras:

Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (Evangelho de João, capítulo 5, versículo 24).

E nós, que ficamos nessa vida terrena, temos a forte esperança de rever nossos entes queridos que já descansam no Senhor. Sabendo que o último obstáculo a ser vencido é a própria morte, a qual será superada pela graça e salvação de nosso Senhor Jesus:

       “E agora digo isto, irmãos: Que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados. Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?
Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” ( I Carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 15, versículos 50 a 57).


Por isso, saiba que a sua dor e sofrimento serão compensados proporcionalmente à alegria e a felicidade de reencontrar nossos amados na glória. Não por um breve espaço de tempo, mas para desfrutarmos juntos de toda a eternidade ao lado de Jesus Cristo. Esse é o nosso alívio e conforto diante do luto e da separação pela morte terrena.

Mas, se você ainda não aceitou a JESUS CRISTO como seu único e suficiente salvador, encontrando-se ainda em maus caminhos que somente o levarão ao inferno e a morte eterna, arrependa-se hoje mesmo e passe a desfrutar dessa promessa em sua vida. Veja o que Deus fala a você hoje:

Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?” (Livro do Profeta Ezequiel, capítulo 33, versículo 11).

Arrependa-se, aceite a Cristo e garanta a sua salvação. Não apenas por você! Mas pela sua família, seus pais, seus filhos e seus irmãos a quem você ama! Não se prive da oportunidade que Deus nos concede! Saiba que nada, a não ser você mesmo, poderá separá-lo do amor de Deus.

        “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia. Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,
Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 8, versículos 35 a 39).


E você que está sofrendo, triste pela ausência de alguém que ama. Saiba que Deus se importa com você! Ele espera poder consolá-lo. Essa é a promessa para você!

Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima.” (Livro do Apocalipse, capítulo 7, versículo 17).

Que Deus te abençoe!


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Todas as citações bíblicas mencionadas nesse texto foram Extraídas da Bíblia Sagrada, SBB, Versão ALMEIDA, Corrigida e Revisada.

sexta-feira, 3 de maio de 2013


A MENSAGEM DO DEUS QUE CONHECEMOS




Considero, em minha modesta opinião, uma das mais belas pregações do evangelho aquela registrada nas Escrituras Sagradas, no Livro dos Atos dos Apóstolos em seu capítulo 17. Nessa passagem bíblica o Apóstolo Paulo se encontrava na cidade grega de Atenas, tendo sido levado a esse lugar por algumas pessoas, depois de encontrar forte oposição de grupos judeus à pregação do evangelho nas cidades de Tessalônica e Beréia (Atos, capítulo 17, versículos 1 a 15).

Atenas não era uma cidade comum. Devido a influência da cultura helênica, desde os tempos do conquistador Alexandre, era considerada a capital cultural do mundo antigo. Por essa razão as artes, a filosofia e a própria cultura greco-romana eram amplamente cultivadas. Incluindo, nesse contexto, os cultos aos ídolos, templos e sacrifícios pagãos. Daí podemos facilmente compreender a angústia e a comoção de Paulo, veja:

E, enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria.” (Atos, capítulo 17, versículo 16).

Cumprindo o seu chamado missionário, Paulo anunciou as boas novas aos atenienses, “de sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam.” (Atos, capítulo 17, versículo 17). Essa postura chamou a atenção dos filósofos e demais cidadãos, que perguntavam entre si: “O que quer dizer este tagarela? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição.” (Atos, capítulo 17, versículo 18). Essa curiosidade e o desejo de conhecer mais sobre a Palavra de Deus levou Paulo a discursar no Areópago, podendo assim falar a todos:

E alguns dos filósofos epicureus e estóicos contendiam com ele; e uns diziam: O que quer dizer este tagarela? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos; porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição. E tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas? Pois coisas estranhas nos trazes aos ouvidos; queremos, pois, saber o que vem a ser isto (Pois todos os atenienses e estrangeiros residentes, de nenhuma outra coisa se ocupavam, senão de dizer e ouvir alguma novidade). E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos. Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens. Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas. E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação. Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar, ainda que não está longe de cada um de nós. Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam. Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos. E, como ouviram. falar da ressurreição dos mortos, uns escarneciam, e outros diziam: Acerca disso te ouviremos outra vez. E assim Paulo saiu do meio deles.” (Atos, capítulo 17, versículos 18 a 33).


Os Epicureus eram pensadores, adeptos das idéias do filósofo Epicuro de Samos. Baseavam seu estilo de vida na busca da realização e felicidade pelo prazer. Hoje essa filosofia poderia muito bem ser descrita pelos ditos populares: “aproveite cada minuto de sua vida”; “seja feliz hoje, preocupe-se amanhã.” Já os estóicos tinham no filósofo grego Zenão de Cítio as regras de uma vida de abnegação e racionalidade. Seu pensamento poderia ser sintetizado pelas lições de Sêneca e Epiteto que enfatizavam: “A virtude é suficiente para a felicidade”.

Podemos, portanto, observar que diante de tamanhas diferenças das correntes filosóficas e das práticas culturais e religiosas daquela época, que o Apóstolo Paulo apresentou o Evangelho de Jesus Cristo, não como uma mera filosofia, ou opção alternativa aos pensamentos dominantes; mas, sim, como a única opção de salvação do ser humano, observe:

Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam. Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (Atos, capítulo 17, versículos 30 e 31).

Vemos que Paulo também ensinou que a proximidade de Deus não se alcança por ídolos feitos de ouro, prata ou pedras esculpidas. Isso porque, embora os atenienses fossem cultos e receptivos as novidades, contudo não possuíam nenhuma informação acerca do DEUS DESCONHECIDO.

Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.” (Atos, capítulo 17, versículo 29).

Atualmente, assim como aconteceu com Paulo em Atenas, muitas pessoas dirigem suas vidas dentro da cultura e das filosofias dominantes. Muitos pensam: Vivo para aproveitar o melhor dessa vida e ser feliz, não importam as demais coisas (síntese do pensamento epicurista). Outros podem dizer: Vou esforçar-me, renunciando ao conforto e o prazer, dedicando-me a caridade e a ajudar ao próximo (pensamento baseado na doutrina estóica). Todavia, independente do que você faça, sem Cristo em sua vida, tudo será nulo e não terá valor algum! Veja o que a Bíblia fala sobre isso:

Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte.” (Provérbios, capítulo 16, versículo 25).

E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens. E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos, descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Evangelho de Lucas, capítulo 12, versículo 18 a 20).

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios, capítulo 2, versículos 8 e 9).

Da mesma forma como aconteceu a Paulo no areópago, muitos também desprezam a mensagem do Evangelho. Isso por acreditar mais no pensamento e na cultura dominante do que na Palavra de Salvação. Mas a Bíblia ensina que alguns creram:

Todavia, chegando alguns homens a ele, creram; entre os quais foi Dionísio, areopagita, uma mulher por nome Dâmaris, e com eles outros.” (Atos, capítulo 17, versículo 34).

Estes que acreditaram certamente puderam conhecer a Deus. Mas, e VOCÊ? De que lado você ficaria? Seguindo aqueles que acreditaram ou ignorando a mensagem de Jesus, preferindo as idéias e a cultura atuais. Você realmente deseja conhecer a Deus, ou ficaria entregue às supertições, apenas imaginando como seria o DEUS DESCONHECIDO?

Essa pergunta é tão atual como foi nos dias do Apóstolo Paulo em Atenas. Cabe a você respondê-la. Que a sua resposta lhe permita conhecer verdadeiramente a Deus.

Que DEUS te abençoe grandemente.



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Notas do Autor

Alexandre (356-323 aC.), também chamado de Alexandre III, ou Alexandre Magno, foi o mais jovem e poderoso conquistador do mundo antigo. Era filho do Rei Felipe II da Macedônia e foi educado pelo filósofo Aristóteles. Tornou-se rei aos vinte anos e estendeu seus domínios territoriais dos Balcãs, chegando até a atual Índia e Afeganistão. Seu império influenciou e difundiu a cultura grega, tornando a sua língua universalmente conhecida nos dias do Apóstolo Paulo. Morreu aos 33 na Babilônia.

O areópago consistia em um concílio que cuidava de assuntos religiosos, filosóficos e políticos em Atenas. Era realizado na colina de Ares, a oeste da acrópole. A própria colina de Ares era também chamada de areópago.

Epicuro de Samos (321-270 aC.). Fisófoso, fundador da doutrina epicurista.

Zenão de Cítio ( 340-265 aC.). Filósofo, fundador do corrente estoicista.

Fontes Bibliográficas

Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão, 1991.
História Essencial da Filosofia – Vol. I, Editora Universo dos Livros, 2009.
Grandes Civilizações do Passado, Vol. III, Grécia Antiga, Editora Fólio, 2005.
Todas as citações bíblicas mencionadas nesse texto foram Extraídas da Bíblia Sagrada, Versão ALMEIDA, Corrigida e Revisada.

sábado, 27 de abril de 2013


A redenção de um escravo



Sempre costumo dizer que a Bíblia é um Livro com histórias capaz de tocar qualquer coração, até o mais cético ou endurecido. Não apenas por causa de sua riqueza literária, ou mesmo pelas suas infinitas lições morais, mas especialmente pelo fato de tratar-se da maneira como Deus fala conosco. Por isso as mensagens contidas em suas páginas e as histórias nelas retratadas são tão maravilhosas. Talvez uma das mais significativas para todos nós seja aquela escrita na Epístola do Apóstolo Paulo a seu amigo Filemon.

Essa carta de Paulo contém apenas um capítulo. É a mais pessoal das mensagens escritas e enviadas por Paulo, pois dirige-se apenas a uma pessoa. É uma carta de intercessão em favor de um escravo. O nome desse escravo era Onésimo.

Nos dias do Apóstolo Paulo, o império romano dominava o mundo antigo. Por essa razão as leis romanas eram as regras aplicadas em todos os lugares, incluindo a forma de tratamento dos escravos. Era uma lei implacável, pois o ser humano reduzido à condição de escravidão era considerado apenas um objeto, um animal semelhante a um boi ou um cavalo, utilizado para as mais diversas tarefas.  Não é à toa que esse regime legal, tão duro e cruel, tenha sido copiado nos séculos seguintes perdurando em muitos lugares do mundo, como aqui no Brasil até o final século XIX. Desse modo, um escravo não tinha direito algum e, quando fizesse algo contra o seu dono ou senhor, poderia ser castigado severamente com açoites, ou até mesmo ser morto.

Onésimo era um escravo fugitivo que encontrou o Apóstolo Paulo quanto este se encontrava na prisão, tendo aceitado a Cristo. Porém, Onésimo havia fugido justamente de seu amigo e irmão Filemon, de quem tinha furtado uma considerável quantia em dinheiro. Nesse caso a pena para o seu erro seria invariavelmente a morte. Mostrando-se aí, nessa terrível circunstância, a força e a graça redentora do amor de Deus pelo ser humano.

Veja o diz o Apóstolo Paulo a Filemon, em favor de Onésimo:

Apelo em favor de meu filho Onésimo, que gerei enquanto estava preso. Ele antes lhe era inútil, mas agora é útil, tanto para você quanto para mim. Mando-o de volta a você, como se fosse o meu próprio coração. Gostaria de mantê-lo comigo para que me ajudasse em seu lugar enquanto estou preso por causa do evangelho. Mas não quis fazer nada sem a sua permissão, para que qualquer favor que você fizer seja espontâneo, e não forçado. Talvez ele tenha sido separado de você por algum tempo, para que você o tivesse de volta para sempre, não mais como escravo, mas, acima de escravo, como irmão amado. Para mim ele é um irmão muito amado, e ainda mais para você, tanto como pessoa quanto como cristão. Assim, se você me considera companheiro na fé, receba-o como se estivesse recebendo a mim. Se ele o prejudicou em algo ou lhe deve alguma coisa, ponha na minha conta. Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: Eu pagarei — para não dizer que você me deve a sua própria pessoa.” (Carta de Paulo a Filemom, cap.1, versículos 10 a 19).

Podemos, dessas poucas linhas, aprender lições valiosíssimas de como Deus pode restaurar a vida de um ser humano. Onésimo era um escravo fugitivo, inútil, cujo único tratamento ou recompensa merecida por seus atos seria a morte. Entretanto, ao conhecer o amor de Cristo através da vida do Apóstolo Paulo, sua vida mudou. O arrependimento pelo seu pecado lhe obrigou a retornar ao seu dono e senhor. Contudo, ele não voltou sozinho, pois o seu testemunho de salvação estava acompanhado da carta (a Palavra de Deus escrita por inspiração do Apóstolo Paulo) que intercedia por sua vida. Trazendo consigo a mensagem de perdão e liberdade dirigida a Filemon.

Vemos aí que a maravilhosa manifestação do poder de Deus também não se limitou apenas na transformação da vida de Onésimo, mas estendeu-se a vida de Filemon, já que ele era um Cristão convicto como afirmam os versículos 4 e 6.

Sempre dou graças a meu Deus, lembrando-me de você nas minhas orações, porque ouço falar da sua fé no Senhor Jesus e do seu amor por todos os santos. Oro para que a comunhão que procede da sua fé seja eficaz no pleno conhecimento de todo o bem que temos em Cristo.” (Capítulo 1, versículos 4 a 6).

Assim, observamos que Filemon, mesmo tendo o direito de castigar Onésimo por seus erros, respeitou algo maior e mais forte que a lei vigente na época. Era “a sua fé no Senhor Jesus e seu amor por todos os santos”. Por essa razão Paulo sentiu-se a vontade em interceder pelo escravo a fim de que ele fosse tratado “não mais como escravo, mas, acima de escravo, como irmão amado”.

E não foi só isso! Se houvesse algo que Onésimo tivesse prejudicado a Filemon, por conta dos prejuízos decorrentes de seu crime, Paulo mesmo assumia a responsabilidade em pagar por esses danos. Assemelhando tal atitude ao resgate vicário de Cristo que “pagou” o preço pelos nossos pecados na cruz do Calvário. Pois assim como devemos tudo a Jesus, o Apóstolo Paulo também destacou: “Se ele o prejudicou em algo ou lhe deve alguma coisa, ponha na minha conta. Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: Eu pagarei — para não dizer que você me deve a sua própria pessoa.

Que história linda! Quantas lições podemos extrair dela: Amor, perdão, responsabilidade e restauração. Quantas pessoas nos dias de hoje assemelham-se a Onésimo, um escravo das coisas ruins que praticaram no passado e hoje estão fugindo por causa de seus pecados. Mas hoje possuem a oportunidade de encontrar-se com Cristo e serem perdoadas, podendo retornar às suas famílias, trabalho e amigos. Não mais como escravos inúteis, mas como pessoas úteis e restauradas por meio da salvação em Jesus Cristo, como o próprio Apóstolo Paulo diz em sua outra carta aos Romanos:

Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, independente da lei, da qual testemunham a Lei e os Profetas, justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. (Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 3, versículos 21 a 24).

Portanto, se você se encontra separado de Deus, lembre-se que Ele quer reuni-lo de volta à sua família e a comunhão de seus irmãos, assim como aconteceu com Onésimo e Filemon, porque: “Talvez ele tenha sido separado de você por algum tempo, para que você o tivesse de volta para sempre...”

Mas, e como terminou a história de Onésimo e Filemon?

Embora a Bíblia não relate o que aconteceu a Onésimo e Filemon após o reencontro de ambos, a tradição e a história cristã relatam que Filemon perdoou Onésimo, libertando-o do jugo da escravidão e de sua dívida, permitindo-lhe retornar ao Apóstolo Paulo. Tornando-se irmãos em Cristo e amigos. Tempos mais tarde Onésimo foi mencionado como um grande pregador do Evangelho, Bispo da Igreja em Éfeso, conforme mencionado nos escritos de Inácio de Antioquia. Sendo Filemon, também, um respeitável líder cristão da Igreja na cidade grega de Colossos, na ásia menor.

Que Deus possa restaurar sua vida e abençoá-lo, libertando-o de todo o tipo de escravidão e tornado-o útil aos seus queridos. Deixe Ele manifestar Seu poder em sua vida. Aceite-O hoje mesmo e veja quão grandes coisas Ele pode fazer em seu favor.

Que Deus o abençoe ricamente!



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Bibliografia:

Cretela Júnior, in Direto Romano, Editora Forense, 2ª Edição.

Eusébio de Cesaréia, in História Eclesiástica – Os primeiros quatro séculos da igreja cristã, Editora CPAD.

Bíblia Anotada, Introdução ao Livro de Filemon, Editora Mundo Cristão, 1ª Edição.

Todas as citações Bíblicas mencionadas nesse texto foram extraídas da Bíblia de Estudo NVI – Nova Versão Internacional, Editora Vida.

sábado, 13 de abril de 2013

490 Vezes


490 vezes



Quando pensamos em perdão é fácil associarmos essa palavra a sentimentos pessoais e lembrar de fatos e pessoas que nos trouxeram algum sofrimento. Porém, para muitos, esses mesmos sentimentos são diretamente vinculados ao desejo de vingança e reparação, o que não é considerado absolutamente errado. Muitas vezes a reparação seria justa, ou, até a vingança, justificável. Na antiguidade as leis tinham um forte caráter de reparação e vingança. O Código de Hamurabi, escrito há 1.700 anos antes de Cristo era um nítido exemplo desse tipo compensação ou vingança. Em um de seus artigos havia a seguinte inscrição:

"Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto".[1]

Por conta de seu rigor em atribuir reparações esse código basicamente originou um dos princípios do direito antigo: O principio de talião[2], do qual adveio a expressão: “Olho por olho, dente por dente.

O povo hebreu não ficou fora desse contexto. O próprio Moisés, ao receber as leis e fixá-las a população, estabeleceu critérios de reciprocidade de castigos e reparações. Veja o que diz a Palavra de Deus:

Se alguém furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas.” (Êxodo, capitulo 22, versículo 1).

Mas se houver morte, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.” (Êxodo, capitulo 21, versículos 23 a 25).

Quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto.” (Êxodo, capítulo 21, versículo 12).

Foi por essa razão que o Rei Davi, ao ser confrontado pelo profeta Natã, disse que o pecador deveria morrer, além de restituir quadruplicado pelo seu pecado (II Samuel, cap. 12, vers. 5 e 6). Assim como Zaqueu, o cobrador de impostos, que ao ser salvo por Jesus prometeu restituir quatro vezes mais àqueles a quem houvera defraudado (Ev.Lucas, cap. 19, vers. 8).

Mas houve um personagem bíblico que estabeleceu um padrão de compensação e vingança absurdamente desproporcional e injusto. Seu nome era Lameque, tataraneto de Caim.

Lameque, além de polígamo[3], tinha um caráter injusto e extremamente vingativo, pois ao declarar publicamente haver matado um jovem e um homem, ainda estabeleceu um grau de retaliação para quem quisesse vingar-se dele. Observe:

E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar. Porque sete vezes Caim será castigado; mas Lameque setenta vezes sete.” (Gênesis, capítulo 4, versículos 23 e 24).

Vemos, pelo exemplo de Lameque, os resultados que hoje assolam a humanidade: Guerras, afrontas, discórdias e o próprio sentimento de vingança como instrumento de reparação e satisfação pessoal. Mas JESUS CRISTO nos deu uma lição valiosíssima ao responder a Pedro por ocasião de quantas vezes devemos ser tolerantes e prontos a perdoar nossos semelhantes.

Então Pedro, aproximando-se dele, disse: ‘Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?’ Jesus lhe disse: ‘Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete.” (Ev. Mateus, cap.18, vers.21 e 22).

Não foi por mera coincidência ou acaso que Pedro questionou Jesus acerca da tolerância e do perdão, pois nos dias de Cristo ainda prevaleciam as ideias de talião, “olho por olho, dente por dente”(Ev. Mateus, cap.5, vers.38 a 44). Por essa razão Pedro desejava saber qual o critério que Jesus estabeleceria a fim de tratarmos nossos semelhantes ao nos ofenderem. Desse modo, assim como Lameque estabeleceu um critério absurdamente desproporcional para a vingança; JESUS fixou esse mesmo padrão para a tolerância e o perdão, dando-nos uma preciosa lição de como Deus trata essa questão.

Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos. E, começando a fazer as contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos. E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida lhe fosse paga. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes encerrou-lhe na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passou. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti?
E, indignado, o seu senhor o entregou aos carcereiros, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas.
 (Ev.Mateus, cap. 18, vers. 23 a 35).[4]

Portando, se você almeja que a misericórdia de Deus alcance sua vida, saiba agir conforme o critério de Jesus para a tolerância e o perdão. E Você verá quão bom isso será para você e todos os seus relacionamentos.

Lembre-se:

O que segue a justiça e a beneficência achará a vida, a justiça e a honra.” (Provérbios, cap.21, vers.21).

Que Deus os abençoe!





[1] Passagem do Código de Hamurabi (artigo 25, § 227) – Awilum, significa cidadão livre. Fonte: Encyclopaedia Britannica.
[2] O Principio de Talião ou Lei de Talião, também chamado Lex Talionis (talis = igual, idêntico), chamada de lei da retaliação, a qual consistia na reciprocidade entre delito e pena. Fonte: Grandes Civilizações do Passado, Ed. Fólio.
[3] O registro de Lameque, apresentado em Gênesis, cap. 4, vers.19 descreve o primeiro caso de poligamia nas Escrituras Sagradas.
[4] Todas as referências bíblicas citadas nesse texto foram extraídas da Bíblia Sagrada, versão ALMEIDA Corrigida e Revisada, SBB.